Manifesto

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O porquê de um Manifesto

Por que nos propusemos a sair do lugar comum (e da zona de conforto) e nos expressamos publicamente.

Não nos faltam razões para protestarmos contra a esmagadora maioria das realizações que vemos na área da construção civil e que, indevidamente, reivindicam para si a qualidade de Arquitetura. Entretanto, não é pela abundância de exemplos, os quais inclusive merecem ser requalificadas ou até mesmo denunciadas, que nos expressamos aqui. Tentaremos, com certo esforço, evitar a tentação da crítica, inerente a todo e qualquer Manifesto ainda que implicitamente. Mas, principalmente, nos ateremos aqui a uma outra intencionalidade possível quando da apresentação de um Manifesto.

No entanto, para que seja possível expormos esse porquê de nos manifestarmos, precisamos primeiro estabelecer algumas premissas. Precisamos antes declarar alguns aspectos fundamentais acerca do que entendemos por fazer Arquitetura e das consequências de se fazê-la. Para nós, fazer Arquitetura é, em essência, transmitir e criar conhecimento. Não qualquer tipo, mas sim um tipo de conhecimento de natureza artística porque o mesmo se dá à consciência por meio de uma obra de arte ou de uma obra de arquitetura.

E, entendendo o fazer Arquitetura como transmitir e criar conhecimento, há também que se considerar algo muito importante: esse fazer é um ato consciente e definido por determinados intuitos, um ato precedido por certas escolhas e que deve, a priori, conhecer as suas mais diversas implicações, um ato que, através da obra de Arquitetura, colabora para com a construção da Cultura. Assim, em decorrência de mais essa premissa devemos também admitir que a Arquitetura forma e transforma o Ser Humano e a Sociedade, já que é absolutamente notório o fato de que a Cultura exerce esse papel com o Homem e seu contexto social.

Com esse entendimento acerca do nosso ofício e por estarmos convictos do dever de fazermos Arquitetura, nós apresentamos este Manifesto sobretudo por uma questão de ética e transparência. Nós o apresentamos porque queremos que os nossos clientes, de antemão, tenham o direito de conhecer nossos intuitos e tenham a oportunidade de se identificar com nossos pensamentos, valores e propósitos.

Entenda mais e melhor sobre nossas razões e motivações para redigirmos este Manifesto no artigo "O porquê de um Manifesto de um escritório de arquitetura".

Cosmovisão e Filosofias

Um pouco acerca do como enxergamos o mundo e o como nos posicionamos e nos relacionamos com ele.

A origem do que chamamos de "permanentes pesquisas", o início da jornada de construção de um pensamento sistematizado e organizado, começou concomitantemente com a criação do projeto final de graduação intitulado "Cenotáfio do Homem Moderno". Aquilo que, a princípio, foi uma forte intuição acerca da crise da Era Moderna e da necessidade de pôr-se um fim a ela, nos anos decorrentes de tal projeto foi se organizando e avolumando por meio de mais e mais pesquisas que apontaram em direção cada vez mais oposta às raízes de tal era.

É tão necessário quanto tentador pensar em uma cosmovisão. Embora seja tarefa e prazer mais dos filósofos do que de qualquer outro intelectual, refletir sobre uma cosmovisão é algo que também deve ser compartilhado por todos que esperam contribuir para com o mundo à sua volta. Portanto, da nossa perspectiva de arquitetos que pensam o mundo e querem melhorá-lo, quando falamos em cosmovisão nos referimos mais ao ordenamento e ao encadeamento de uma série de filosofias que são capazes de estruturar nossa "visão de mundo" e nosso modo de nos relacionarmos com ele, do que de uma cosmovisão propriamente dita.

Sendo assim, de um modo mais amplo podemos afirmar que acreditamos no Teocentrismo e não no Antropocentrismo. Acreditamos na conciliação entre a Fé e a Razão, na complementariedade entre ambas na busca da Verdade, e na Arte como forma de expressar essa relação imprescindível entre essas duas estruturas do Ser. E, acerca disso, nos cumpre dizer que a Fé que professamos é a Cristã.

De um modo mais pragmático, nos alinhamos com o Conservadorismo, pois entendemos que ele orienta os posicionamentos do Ser no presente considerando aquilo que foi fecundo no passado. E, por essa adoção do Conservadorismo, valorizamos o pensamento Erudito, os três pilares da Civilização Ocidental (Religião Cristã, Filosofia Grega e Direito Romano), e a tradição na Arte e na Arquitetura da nossa civilização ocidental, tradição esta tão atacada pelas mazelas da Era Moderna, dentre tais o Progressismo.

Ser Cristão e ser Conservador não é viver sendo preso ao passado, é assumir um compromisso responsável com o presente e com a construção do futuro. E é justamente através destas filosofias mencionadas, ou desta cosmovisão, e com base em nossos princípios e valores que decorrem do cristianismo e do conservadorismo, que realizamos um de nossos propósitos que é transformar a realidade à nossa volta por meio da nossa arquitetura.

Saiba um pouco mais sobre os pensamentos que nos iluminam no artigo "Um pouco acerca das nossas filosofias".

Princípios e Valores

Alguns dos princípios e valores dos quais não abrimos mão no dia a dia do nosso ofício.

Para nós, fazer Arquitetura é muito mais do que um trabalho ou uma profissão, é um ofício. Afirmamos isso no sentido de um dever, de uma obrigação moral, pois é assim que encaramos nossa escolha profissional. E, por entendermos que há um fundamento moral no como fazemos Arquitetura, necessariamente devemos falar dos nossos princípios e valores que a este fazer estão relacionados.

Além disso, temos mais duas imprescindíveis razões para expormos os nossos princípios e valores que, consciente e inconscientemente, guiam os nossos intuitos, nossas criações e nossos atos profissionais como um todo. Uma é a pessoalidade, característica essa que marca toda a nossa forma de trabalho. A outra razão está na capacidade que a Arquitetura possui de formar e transformar o Homem e a Sociedade através da transmissão e da criação de conhecimento, conforme "O porquê de um Manifesto" já expôs.

Nossos princípios e valores foram, num primeiro momento, naturalmente adquiridos junto às nossas famílias e, num segundo momento, reafirmados no decorrer de nossas vidas. Deste modo, sabemos que eles são princípios e valores herdados, entretanto também escolhidos, e escolhidos de forma absolutamente consciente. Examinando, portanto, essa consciência que temos acerca da nossa formação e das nossas escolhas, reconhecemos que a fundamental fonte dos nossos princípios se encontra na moral cristã, está em Cristo e em seus ensinamentos.

Com isso, de forma resumida, podemos elencar os seguintes princípios e valores que fundamentam aquilo que se pode esperar quando se contrata a Téses Arquitetura:

  • Arte: uma das principais finalidades do nosso fazer Arquitetura é a transmissão e criação do conhecimento artístico. Contrariando aquilo que é uma inexorável condição do Ser Arquitetura, cada vez menos encontra-se a Arte, o artístico, nas edificações mais recentes. Mas, para nós, a Arte está no arcabouço de todo trabalho;
  • Pessoalidade e Unicidade: todos os nossos trabalhos são realizados de maneira pessoal e visando um resultado único e exclusivo;
  • Perfeccionismo e Devoção: realizamos nossos trabalhos com extrema dedicação e de forma devocional;
  • Experiência e Tradição: valorizamos a experiência por nós mesmos acumulada e a experiência sedimentada e transmitida pela Tradição da Arquitetura Ocidental (saiba mais sobre nossa relação com a Tradição no artigo O Diálogo com a Tradição );
  • Erudição: valorizamos o conhecimento erudito e alimentamos nosso conhecimento de forma planejada e permanente por meio das nossas pesquisas;
  • Excelência Técnica: nos nossos projetos e construções valorizamos o emprego das técnicas e tecnologias com a máxima atenção e de forma crítica e, quando necessário, buscamos a criação e o desenvolvimento de novas técnicas para realizarmos nossos objetivos;
  • Transparência: todos os nossos trabalhos são transparentes para com nossos clientes e, um bom exemplo disso, é que repudiamos qualquer forma de comissionamento (saiba mais sobre essa postura de trabalho no artigo Reservas Técnicas: as propinas dissimuladas );
  • Respeito: prezamos sempre pelo devido respeito aos nossos clientes e às suas demandas, bem como aos nossos parceiros e colaboradores profissionais. Respeitamos antes disso, o nosso próprio ofício.

Propósitos

O que acreditamos poder realizar através do nosso trabalho.

Considerar somente as características geográficas e locais ou os fatores de conforto térmico e ambiental não são mais do que algo inerente ao fazer arquitetura, são obrigações inalienáveis aos projetos de quaisquer que sejam os arquitetos e em qualquer lugar do mundo. Tais questões não podem ser, embora muitas vezes sejam, tratadas como propósito de um arquiteto ou escritório de arquitetura. Trata-se muito mais de uma consciência acerca do que é e do que deve sempre ser a Arquitetura, do que de um valor agregado a um serviço de um escritório, e menos ainda do que um fim em si pertencente ao fazer arquitetura de alguém.

Nós acreditamos poder contribuir para com o crescimento das pessoas, das culturas e dos lugares. Acreditamos nisso pois, dentre outras tantas razões, entendemos a Arquitetura como uma arte na qual se vive, como uma forma de arte perene e imóvel que é capaz de se consolidar em um determinado local e seu contexto. Portanto, sendo a Arquitetura entendida como uma arte, ela não deve nunca escapar do seu papel transformador. Assim, para nós, essa potência inerente ao que é Arquitetura se torna um propósito, pois, inspirados pelos Princípios e Valores nos quais nos alicerçamos, visamos irradiar a Cosmovisão e as Filosofias com as quais enxergamos o Ser e o Mundo. Desejamos apresentar obras que expressem reconciliação entre a Fé e a Razão, propiciar por meio das nossas obras um diálogo intelectual e espiritual com as pessoas.

Vale frisar que, enquanto forma de arte, a Arquitetura transcende, por exemplo, o poder de comunicação de uma escultura, na qual não se pode adentrar e/ou realizar atividades, sendo apenas passível de observação a partir de um determinado espaço aberto ou fechado. A Arquitetura transcende, ainda, a capacidade de comunicação de uma instalação, na qual muitas vezes se pode penetrar e percorrer, mas não se pode viver. Portanto, acreditamos que podemos contribuir de modo significativo para com o crescimento das pessoas, das culturas e dos lugares, pois o tipo de arte que realizamos possui um forte e profundo poder de comunicação já que pode ser observada, percorrida e vivida.

E é através dessa capacidade de comunicação pungente e penetrante que, como já afirmamos aqui em nosso Manifesto, transmitimos e criamos conhecimento do tipo artístico. Ademais, cabe relembrar algo que também já dissemos: transmitimos e criamos tal tipo de conhecimento com o suporte de nossas permanentes pesquisas, com nossa postura disciplinada acerca da produção de conhecimento, sendo que cada nova tese (ou obra) parte sempre de uma tese maior e em permanente construção.

Com o conhecimento artístico criado, acreditamos ser capazes de agregar ainda mais valor às necessidades práticas, às intenções de investimento e às expectativas gerais que nossos clientes nos trazem. Em decorrência disso, considerando que a abrangência da comunicação de uma obra de Arquitetura vai além de quem a contrata e de quem nela vive, o cliente torna-se patrono do conhecimento transmitido e produzido a partir da sua obra. E as obras que criamos são sempre únicas.

Por fim, num sentido mais amplo do que o da escala local na qual a obra de Arquitetura se insere, pretendemos contribuir para a melhora do quadro arquitetônico, artístico e cultural como um todo. Intentamos colaborar para com o resgate da arte e da civilização ocidental que teve e ainda tem sua identidade e seus valores atacados desde a instituição da Era Moderna.