Alphaville Jundiaí | J.J.1
No artigo O diálogo com a Tradição, relatamos que o despertar para o verdadeiro legado da Tradição da Arquitetura Ocidental inaugurou reflexões que cada vez mais tomam corpo e forma em nossos trabalhos. Como mencionado em nosso artigo, o nosso olhar para a referida herança não é o de copistas, mas o de críticos que reconhecem os inestimáveis valores da nossa Tradição e que refletem sobre esses bens herdados ao mesmo tempo em que, com igual atenção crítica, refletem sobre às questões do nosso próprio tempo, ou, em outras palavras, sobre as questões do legado da era Moderna. Não nos dispomos a copiar o passado e, menos ainda, aceitamos passivamente o que vemos no presente; refletimos sobre a relevância do que fora construído no passado para encontrarmos novos caminhos que nos permitam dar continuidade à essa construção no presente.
Outros projetos anteriores a este já haviam abarcado algumas indagações e hipóteses relevantes dentro desse processo, mas, essa primeira versão do projeto para a residência de uma família no Alphaville de Jundiaí foi o primeiro projeto a fazer uma incursão sistematizada nas relações entre a arquitetura da Antiguidade Clássica e a da Renascença, conferindo bastante atenção à obra de Andrea Palladio. E, ao mesmo tempo que mirou alguns princípios da Tradição da Arquitetura Ocidental que permearam os dois referidos períodos da história, a Antiguidade Clássica e o Renascimento, como as ordens arquitetônicas, por exemplo, ainda manteve algumas restritas relações com determinadas questões modernas.
Para comportar o programa da residência definido pelos clientes para seu lote de cerca de 540 m², foi necessário definir três níveis distintos no projeto: um nível semienterrado ou no subsolo, destinado às vagas de garagem e outros usos, um nível intermediário, abrangendo a maioria das áreas de convívio, e outro mais elevado e reservado para os dormitórios e algumas áreas íntimas. Sendo consideravelmente extenso o programa para a área do terreno, foram definidos dois blocos, ligados por um passadiço, e foi criado um pátio entre eles para o qual a casa se voltou. Com o pátio criado, contendo um espaço para uma lareira externa e uma fonte, sob uma nova perspectiva mais uma vez se retomou o arquétipo do Éden.
A pedido dos clientes, uma nova criação foi elaborada na sequência desta, visando algumas questões estéticas que o projeto não abordava. E, nessa outra criação, diálogos mais fortes foram traçados com a obra de Palladio de modo a se preponderarem sobre as questões que nesta primeira obra se abordou.